Estar presente com o outro, para escutar com empatia e interesse o que ele tem para falar, é um ato de amor que muitas vezes deixamos de exercitar.
Cada ser humano é único, tem histórias diferentes, valores, crenças, limitações e talentos específicos. E nem sempre o que é indicado para um é apropriado para outro. Portanto, para que a sua comunicação seja eficaz, é necessário antes de tudo ser um bom ouvinte.
Mas uma das maiores dificuldades do Ser Humano é de praticar o que Rubem Alves chama de “escutatória”, ou seja, todos querem aprender oratória, falar bem, influenciar, persuadir, mas nem todos buscam aprender a escutar.
Aliás, podemos observar que passamos anos aprendendo a ler, escrever e a falar. Mas quanto a escutar? Em que momento da vida nós nos dedicamos a aprender sobre a boa escuta?
É preciso abrir mão do “querer ter razão”.
Devemos assumir uma postura de curiosidade genuína, como a de uma criança quando está descobrindo o mundo. Essa é uma condição para a escuta de excelência.
Com um olhar genuíno, curioso, sem julgamento podemos verdadeiramente ouvir.
Infelizmente, a maioria das pessoas escuta com a intenção de responder, replicar e não de compreender.
Embora reconheçamos a importância de prestar atenção ao que as pessoas falam no geral, somos maus ouvintes. Em algumas ocasiões, perdemos a paciência, interrompemos o interlocutor e o atropelamos com julgamentos precipitados e imaturos.
Não há escuta de qualidade quando estamos sempre falando ou nos preparando para falar. Muitas vezes as pessoas deduzem: “Ah, sei o que você sente. Já passei por isso. Vou contar o que aconteceu comigo” e então assumem a palavra acreditando que a sua história vai melhorar o outro, como se suas experiências pudessem servir para ele.
E quais são os passos para para uma escuta de qualidade?
A Programação Neurolinguística estuda a excelência humana e nos ensina técnicas para escutar ativamente. Para uma boa escuta, que faça com que o outro se sinta à vontade para se abrir na comunicação, é necessário entre outras coisas:
- Manter uma postura relaxada, porém atenta;
- Usar incentivos verbais como “Mm-hum” ou “Me fale sobre isso”;
- Manter um contato visual eficiente, balançando a cabeça com sinal de aprovação, também pode encorajar o outro a falar;
- Evitar interrupção no discurso;
- E fazer perguntas para checar o que foi dito, sendo empático e compreensivo.
Participar de forma ativa é à base da comunicação eficaz.
Deixar a outra pessoa saber que você está prestando atenção e se interessando pelos pensamentos e opiniões dela cria um vínculo afetivo e um laço de confiança.
Isto é conhecido também como “reciprocidade” (as duas pessoas estão comprometidas no processo de ouvir ativamente e trocar informações). Esta postura poderá melhorar a comunicação e suas relações interpessoais.
Aprender a garimpar informações exige boas habilidades de comunicação, especialmente a de ouvir com atenção e sem preconceitos.
O tempo todo nosso corpo está se comunicando conosco.
Podemos treinar a escuta de qualidade começando pelo nosso nosso corpo, nossos sentimentos e, sobretudo, ouvindo a voz das nossas emoções e nossa intuição.
Ao ampliar essa percepção de nós mesmos começamos a estar mais atentos ao outro, a enxergar as coisas sob uma nova ótica. Assim as relações se tornam mais saudáveis e a vida ganha um colorido diferente.
Para uma escuta de qualidade devemos aprender a nos conhecer, ter uma atitude de autorrespeito e harmonizar com o nosso Eu Interior
Essas atitudes podem ser um início para que possamos melhorar nossa “escutatória” e apreciar o outro com respeito e compaixão.
Ainda: afinar nossos sentidos para perceber o outro, ouvir não só com os ouvidos, mas com os olhos, com o coração e dar ao outro segurança para ele ser quem ele é.
Podemos criar um mundo melhor a partir de uma atitude simples e amorosa. Ouça!
Luíza Lopes é educadora e especialista em Programação Neurolinguística (PNL)