Quando escolhi escrever sobre alfabetização emocional, o que me veio em mente foi uma frase que mamãe, com toda sua simplicidade mineira, falava quando eu era ainda uma menina: “Sofrimento faz parte da vida. E tem gente que tem queda pra sofrer e sofre em demasia.”
É verdade, tem gente que tem queda pra sofrer. Mas o que faz com que uma pessoa sofra tanto numa mesma situação em que a outra consiga “tirar de letra”? E será que você também pode ser feliz em demasia?
Sim, você pode. Mas hoje, na área que escolhi para trabalhar, que é a do comportamento humano, percebo o quanto desconhecemos nossa estrutura emocional e nos tornamos reféns de nossos próprios sentimentos.
Existem então dois grupos de pessoas: um daquelas com inteligência emocional e outro das que ainda não se alfabetizaram emocionalmente.
Alfabetização emocional significa identificar e reconhecer as emoções e entender que elas são aliadas.
Mas algumas pessoas tratam a questão de forma simplista demais, ignorando ou escondendo as emoções. Já outras dão um valor sobrenatural a elas, tendo urgência em rotulá-las como se fossem doenças a serem ser tratadas.
As emoções sufocadas certamente ficam reprimidas em nosso corpo físico, criando desconforto. Além disso, quem não tem um Quociente Emocional alto, tem pouca resistência para enfrentar a dor.
Mas felicidade e sofrimento temperam a nossa existência, exercitando nossa força interna.
Por isso, precisamos parar com a mania esquisita de só valorizar as emoções reconhecidas como positivas.
Todas emoções são importantes e necessárias à nossa evolução. E a Programação Neurolinguística nos ensina a reconhecer as emoções, tornando-nos receptivos e conscientes do efeito delas no nosso corpo e nas nossas relações.
Flua com a vida.
Faça como o rio, que prossegue mansamente o seu caminho até alcançar o oceano, a sua grande meta. O segredo não é brigar com a vida, mas aceitá-la. E ser feliz em demasia!
Luíza Lopes é Diretora do INDESP.