Conhece alguém que se mantém preso a um determinado relacionamento, mesmo estando profundamente infeliz? Se essa pessoa não consegue colocar fim à situação que a oprime, talvez ela esteja sofrendo de dependência emocional.
Na dependência emocional, o indivíduo acredita que tem que agradar o outro o tempo todo, anulando a si mesmo de tal forma que não se acha mais capaz de andar com as próprias pernas, tornando-se um refém daquele (ou daquela) que ele ama (ou pensa amar).
Dominado pelo medo, o refém emocional vai se encolhendo, sumindo cada vez mais na relação até perder toda a sua identidade.
Muitas vezes a dependência emocional tem sua raiz na infância.
Quando bebês, momento em que constituímos nosso psiquismo, fomos dependentes de quem cuidava de nós. A mãe era nosso elo com o mundo, tanto que, nos primeiros meses de vida, nem conseguimos diferenciá-la de nós.
Mas aos poucos, o bebê percebe que a mãe não é ele e aí começa a criar autonomia. Uma vivência adequada com a mãe nesta fase pode desenvolver uma estrutura psíquica forte e saudável e talvez evitar a dependência na fase adulta.
Por outro lado, quando o bebê não se sente querido e valorizado por pessoas significativas, pode acabar desenvolvendo uma imagem distorcida de si mesmo e nutrindo um sentimento de “não adequação”.
Nasce assim uma relação de submissão, de dependência do outro, como uma estratégia para evitar o abandono.
Quando adulto, esse dependente emocional vive a relação amorosa com apego obsessivo no lugar de uma troca de afeto saudável com o seu parceiro ou parceira.
A pessoa começa a se anular. Discordar do outro, então? Nem pensar! É como se disparasse na mente o botão perigo, sinalizando que a situação deve ser evitada.
Tanto a mulher quanto o homem podem desenvolver essa dependência e os sintomas são os mesmos.
Em geral, cria-se uma relação parasitária com exagerada necessidade de aprovação do outro. Romances como “Romeu e Julieta” ilustram formas patológicas de amor que podem identificar um refém emocional.
Essa dependência é muito comum em várias fases da vida. Porém, ela é patológica, tira-nos da normalidade e, principalmente, nos traz sofrimento e angústia.
Mas e o que é o amor saudável?
Companheirismo, respeito às diferenças individuais, confiança mútua são ingredientes de uma relação sadia, em que as experiências são compartilhadas com alegria e há construção e não destruição.
É natural que sejamos em alguns momentos dependentes, e em outros não tanto, mas é patológico não alternar entre estes dois estados, vivendo intensamente um dos dois, por fixação.
Em muitos casos, somente a idéia de ficar só apavora, pois estaremos em contato direto com nossos próprios pensamentos – e isso pode ser assustador.
A Programação Neurolinguística, ou PNL, nos ensina a desenvolver a autopercepção e a fazer mudanças favoráveis na nossa estrutura mental e emocional, criando assim atitudes adequadas e nos permitindo um viver melhor, para que possamos contribuir efetivamente para a construção de um mundo mais humano e feliz.
Luíza Lopes é Trainer e Diretora do INDESP | Instituto de Desenvolvimento Pessoal.